Vivendo intensamente...

Quase um diário de viagem, ideias e pensamentos.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Aventuras Patagônicas parte II

Voo de Ushuaia pra El Calafate:
Assim que o  voo ganhou altitude, da janela naquela linda manhã de segunda, podia ver a pequena Ushuaia ficando pra trás. E podia ver onde começava o Glaciar Martial, uma bela visão.
Ouvindo New Model Army, me inspirava nas músicas e letras, estava um pouco ansiosa para chegar em El Calafate. Era uma viagem rápida e eu simplesmente não conseguia tirar os olhos daquelas vistas extraordinárias. Lanche servido, bolsinha da cia área indicava mais uma vez que a Patagônia quer proteger sua natureza tão frágil e fazem da reciclagem e redução de danos uma coisa bem séria.




Chegada em El Calafate:
O avião começou a descer lentamente e eu já enxergava aquele ar desértico da terra de Santa Cruz, vi pela janela a estrada na qual eu peguei uma tempestade de neve na primeira vez que fui a El Calafate. Naquele dia estava iluminada pelo sol e tão dourada como ouro.
Pouso perfeito, estamos em terra, pego minha mala que parece cada vez mais pesada, apesar de eu não comprar nada durante a minha estadia em Ushuaia, talvez eu só esteja cansada.
Controle de alimentos bem na saída, sou a última a passar. Procuro a agência de transporte que me levaria ao Hostel. Meu nome sobrenome estava escrito em uma placa na porta, confirmo que sou eu, pego o voucher e vou para fora do aeroporto onde uma van com um colorido carrinho preso atrás leva as malas dos passageiros. 
Percebo um casal falando em português, não é tão difícil encontrar brasileiros pela Patagônia, puxo assunto, mas eles não parecem muito interessados e só desejo boa estadia. Na van somente eu, mulher, sozinha, entre vários casais e começo a pensar como estou feliz em viajar sozinha.
Sou a primeira se deixada pela van, reconheço já a rua e me preparo para descer. Chego ao Hostel America Del Sur, sou recebida pelo simpático paraguaio Patricio, o qual eu conheci em 2010, mas ele não lembrava de mim. Check in feito, banho tomado, tenho fome e resolvo sair para aproveitar o dia que estava lindo. Converso um bom tempo com o Patricio sobre várias coisas, tenho curiosidade de saber como é viver em uma cidade tão pequena. Ele me conta suas aventuras no Hawaii, planos, visitas ao Brasil. 
Eu adoro El Calafate, me sinto em casa, apesar de seus carros serem os mais poluentes que eu já vi. Pra variar chego na hora da siesta, mas acho que em El Calafate tudo fecha nesse horário, porque todos os turistas estão em seus tours e só retornam no final da tarde. Almoço no mesmo restaurante que fui uma vez, tem brasileiros ouvindo o tal do "Tcherere...", musica dos infernos, mas não posso ir para outro lugar, tudo fechado, resolvo checar as fotos que tirei em Ushuaia, enquanto espero meu bife de chorizo ficar pronto.
Comida na mesa, como o mais rápido possível, pois começo a sentir o cansaço bater e quero logo deitar.
Comida total de $80, muito caro, sim, mas é o preço normal de El Calafate.
Estava tendo uma manifestação cultural na praça da cidade, mas não tenho mais forças para nada, fora que antes eu bati com a minha canela em um compensado e estava doendo horrores, fiquei com o cartão preso dentro da máquina do Banco que já estava fechado, mas consegui recuperar, já tinha tido emoções o suficiente.
Volto para o hostel e resolvo dormir um pouco.
Acordo e dou uma volta pelo hostel, como alguns biscoitos e empanadas que comprei no mercado, mas logo volto a dormir, minha perna dói intensamente e começo a sentir a gripe querendo chegar, amanhã faço alguma coisa.

El Calafate de Bicicleta:
Acordo e vou tomar café, já no final do horário, ainda não sei o que vou fazer, acho que apenas fotografar a cidade. Converso mais um pouco com o Patricio e digo que acho que vou para o centro e alugar uma bicicleta, mas para a minha sorte ele tem uma lá exatamente para alugar. Vou no quarto e preparo a mochila. Quando estou saindo, a minha nova amiga sul coreana que dividia o quarto comigo em Ushuaia chega e nem acredito, ficamos feliz de nos encontrar, ela vai descansar e eu vou pedalar.
A última vez que andei de bicicleta foi em El Calafate, dois anos atrás. Mas como dizem que "é como andar de bicicleta" no inicio me sinto meio insegura com as pedras e rua de terra batida, mas resolvo testar meus limites e descer a rua que é bem ingrime, em cima da bicicleta. Como sempre estrategista, penso logo em uma maneira de sair da bicileta caso fosse necessário por causa dos carros ou como cair se caso eu derrapasse. Checo os freios e vou.
Desligo essa ideia e simplesmente começo descer a toda velocidade, controlando os freios, é bem ingrime mesmo, mas estou indo bem, fico até emocionada e rindo por causa disso. Pego a direita a toda velocidade e vou em direção a Laguna.
Posso em frente ao cemitério, museu dos dinossauros, já estive lá antes, mas cogito a ideia de volta. Continuo como se estivesse voando em direção a Laguna, está tudo diferente, pavimentaram a estrada e agora é necessário pagar $25 para entrar. Me recuso, e vou beirando o lago por fora, até encontrar uma boa vista. Fico por lá, sozinha, com o vento soprando forte e aquela luz dourada me iluminando em meio ao tempo nublado.
Quando um casal começa a se aproximar, eu saio, como um pássaro incomodado.
Vou passeando e começo a sentir fome, lembro de outro restaurante em que eu estive dois anos atrás e resolvo comer lá.
Na televisão mais um jogo de Hubby, e claro, a seleção argentina jogando.
Peço um Bife de cordeiro com batatas doce fritas, vem junto um copo gigante de pepsi, entrada pães e pasta de beringela e no final uma sobremesa divina, panqueca com o dulce de leite, tudo por $80 pesos.
Demorei umas 2 horas pra comer tudo, mas foi excelente, apesar do preço.
Andei mais um pouco pela cidade, queria tomar um sorvete, mas estava cheio o lugar. De volta ao Hostel, fui dormir e acordei antes do sol se pôr. Eu iria sair para fotografar, mas desisti por causa do vento gelado e voltei para o quarto, fiquei conversando com a Soyoung. Lembro que preciso ir ao mercado comprar mais coisas e vamos juntas. Na volta eu tomo um sorvete de Calafate, que delicia, talvez o melhor sorvete que experimentei em toda a minha vida. A menina que me atende fica muito feliz quando digo que sou brasileira e me faz inúmeras perguntas. Muito curiosa sobre como é a vida lá fora. Ela arranha um pouco de português e fica muito feliz quando eu digo que ela está falando como uma brasileira. Me senti muito feliz vendo os olhos dela brilhando com o meu elogio.
A noite no hostel conheci um menino chamado Alex ele é da Irlanda que trabalha no hostel por um tempo e ficamos conversando sobre bebidas, porque eu queria tomar uma cerveja, mas lá só vendem a garrafa de 1 litro. Ele me indica um restaurante no final da rua onde vendem cerveja artesanal. Apenas alguns passos e estou em um belo restaurantes, porém as moscas. Sento no balcão e a dona do restaurante me dá várias provas de cervejas artesanais e escolho a minha. Preços variando de $26 a $36 dependendo se é estilo chopp ou long neck.
De volta para o hostel e um pouco alta, hora de dormir, amanhã tem Glaciar.

Glaciar Perito Moreno:

Como não fiz a reserva no hostel, acordo bem cedo para tomar café e correr para a rodoviária. Mochila abastecida faço minha caminhada na manhã gelada de El Calafate às 7h30 da manhã.
Compro a minha passagem na rodoviária $100 e aguardo até a hora do ônibus sair, pontualmente às 9h da manhã. Não saiu cheio, afinal é baixa temporada.
O caminho é simplesmente espetacular, acho que todos no ônibus estão de boca aberta como eu, que por um momento paro de fotografar e relaxar apreciando aquelas paisagens fora do real.
O ônibus faz uma parada na entrada do parque e um rapaz sobe para cobrar a entrada, turistas do Mercosul pagam $70 pesos, ele pergunta de onde você é primeiro.
A entrada do parque é bem longe do Glaciar e todos são obrigados a parar lá antes de continuar. Esse ingresso não será cobrado na entrada das passarelas.
O ônibus faz a parada  no porto de onde sai os passeios de barco para ver o glaciar de perto, é opcional. Dura 1 hora e se não quiser ir, pode ficar esperando no ônibus. Mas normalmente todos vão.
O passeio custa $100 e normalmente sai lotado dependendo do barco.
Na outra vez saiu vazio, dessa vez mesmo na baixa temporada estava abarrotado.
O tempo não estava muito bonito, mas deu pra apreciar a vista apesar de muito cheio e turistas afobados por uma boa foto e um bom ângulo.
De volta ao ônibus que já havia passado pelas passarelas antes pra fazer hora, voltamos e é onde ficaremos até às 16h, hora que ele virá nos buscar.
Tem um restaurante e banheiros, mas cuidado com o seu lixo, lá não há lixeiras nas passarelas ou fora do restaurante, você precisa voltar com seu lixo para El Calafate.

Passarelas:
As passarelas para apreciar o Glaciar tem vários níveis e extensões, é preciso ficar atento ao mapa pra saber se você terá folego e tempo para ir e voltar.
Algumas levam 1 hora e meia só pra ir, são bem compridas e cansativas, lembre-se que você vai descer e subir vários degraus.
As que tem a vista de frente sem dúvida são as melhores, mas vá para todos os lados que puder.
Se tiver sorte verá o gelo se desprendendo e caindo na água, o som é emocionante, desde a rachadura, queda e o balanço da água.
Esteja atento a hora para não perder o ônibus.

Voltamos no horário combinados e acho que todos assim como eu, dormiram na volta para El Calafate.
Leva mais ou menos 1h até a cidade.
Chegamos por volta das 17h e o ônibus nos deixa na rodoviária. Descemos pela escadaria que da na feira de artesanato, vale apena dar uma olhada e se tiver dinheiro sobrando comprar alguma lembrança.
Estava tudo muito caro, uma pena essa inflação.
De volta ao Hostel, banho tomado, vou pagar logo a minha estadia no hostel, mas para a minha surpresa o meu cartão não passa, por um pequeno detalhe, ele é VTM e eles efetuam o pagamento online e não com aquelas maquinas de cartão de crédito. O que me obriga a voltar ao quarto, colocar muitas roupas e ir até o centro tentar sacar dinheiro, já que eles não aceitam reais e não tenho dinheiro suficiente para pagar.
Corro até ao banco, eram 21h00 sem saber se estaria aberto, mas pra minha sorte estava e consigo sacar o dinheiro.
Fiquei muito chateada com o fato que tive que ir até ao centro quando já estava pronta para dormir e a menina da recepção achou que eu daria um calote nela quando ela disse que meu cartão não passava, mas de outros sim. E ela ainda fica chateada por eu não dar a gorjeta depois do comentário sarcástico infeliz dela, ah vá!
Os meninos que trabalham no hostel são excelentes, mas as meninas deixam a desejar...talvez seja ciume das brasileiras, pode ser...e devem ter.


Hora de dizer tchau:
Acordo bem cedo e como já tinha deixado tudo pronto na noite anterior, só checo se não esqueci nada.
Vou para a recepção e encontro o paulista Leandro que conheci em Ushuaia.
Ficamos conversando sobre o que eu fiz, o que ele iria fazer, onde fomos, e um casal brasileiro entra na conversa. Falamos sobre os pontos positivos e negativos dos lugares.
Hora de dizer tchau, a minha nova amiga soyoung foi para El Chaltén mais cedo e acho que essa será minha última vez em El Calafate. Mesmo adorando nem sei porque essa pequena cidade, fico feliz por ir embora e ter outras experiências, sair do frio e falar português novamente. O Transfer passa meia hora atrasado.
Voos tranquilos, lembrando que em El Calafate você também paga a taxa de $38 no aeroporto. O transfer foi o mesmo da ida, tudo pago no hostel.
A vista dos icebergs passando pelo Lago argentino enquanto espero o voo é uma coisa que não tem como explicar. E foi uma sorte pegar esses voos pela manhã e com sol. Lindas vistas, uma linda despedida.
Buenos Aires me espera....





Um comentário:

  1. também gosto muito de ler esse reporte Nanda! que boa historia :)

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