Vivendo intensamente...

Quase um diário de viagem, ideias e pensamentos.

sábado, 5 de abril de 2014

A montanha mágica.




Um pensamento de como está minha vida nesse momento... 
Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde
Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal
Ficou logo o que tinha ido embora
Estou só um pouco cansado
Não sei se isto termina logo
Meu joelho dói
E não há nada a fazer agora
Para que servem os anjos?
A felicidade mora aqui comigo
Até segunda ordem
Um outro agora vive minha vida
Sei o que ele sonha, pensa e sente
Não é incidência a minha indiferença
Sou uma cópia do que faço
O que temos é o que nos resta
E estamos querendo demais
Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal
Existe um descontrole, que corrompe e cresce
Pode até ser, mais estou pronto pra mais uma
O que é que desvirtua e ensina?
O que fizemos de nossas próprias vidas
O mecanismo da amizade,
A matemática dos amantes
Agora só artesanato:
O resto são escombros
Mas, é claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é por isso que estamos aqui
Cada criança com seu próprio canivete
Cada líder com seu próprio 38
Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
Chega, vou mudar a minha vida
Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol
Num copo d'água

(Legião Urbana)

domingo, 25 de agosto de 2013

Valdívia - Chile 2013

De forma praticamente inesperada fui parar em uma pequena cidade no sul do Chile chamada Valdívia.
Pra começar a viagem, muitos peregrinos voltando para Argentina após ver o Papa no Rio de Janeiro, um ótimo voo com a TAM, avião e serviço excelente, mas chegando em Buenos Aires, descobri que o ônibus para o Aeroparque onde eu teria que fazer a minha conexão para Bariloche estava misteriosamente cancelado. Peguei um táxi que custo $260 pesos argentinos + 30 reais que ele me roubou porque na verdade ele me cobrou $290 para ir mais rápido (mais tarde volto a comentar sobre os táxis na Argentina). Muito trânsito na rodovia principal, quase perdi o meu voo, cheguei na última chamada para embarcar.
Voo com a Lan Chile, sinceramente pensei que fosse melhor, se compara fácil com uma GOL da vida.
Chegando em Bariloche, não há táxis para todos, minha ideia era pegar o ônibus para a cidade, infelizmente ele só passaria às 22:00 e eu já exausta fiquei meia hora entre um cigarro e muito frio pensando no que iria fazer, junto com mais um casal de brasileiros que conheci ainda em Buenos Aires.
No final resolvemos pagar um Remis, já que eramos os últimos no aeroporto, $150, eles me deixaram no centro e tive que subir as ruas de Bariloche atrás de uma casa de câmbio, mas principalmente de um lugar para ficar, internet para avisar a famílias e amigos que estava tudo bem.
Como já estive lá antes, fui direto ao centro de informação ao Turista que fica no centro para pegar algumas dicas de hostels, acabo ficando em um ali mesmo, chamado Backpackers Bariloche, $90 com café da manhã. Não recomendo, velho, pequeno, sujo, uma porcaria. Mas como eu já estava bem cansada e ainda precisava trocar dinheiro, acabei ficando lá só por uma noite, no dia seguinte eu teria que pegar o ônibus para Valdívia.
Consegui trocar o dinheiro em uma loja R$ 1,00 por $ 3 pesos. Jantei e fui dormir.
No dia seguinte, não peguei o café da manhã, preferi dormir o máximo que poderia, fui a casa de câmbio trocar o dinheiro por alguns pesos Chilenos, não fazia ideia de quanto iria precisar, então troquei apenas R$ 50 reais, acho que deu $ 10.500 pesos chilenos.
O Remis até ao Terminal: $25 pesos, o ônibus Andersmar leito: $ 220.
Lanche na rodoviária $37 pesos.
O ônibus saiu pontualmente as 13:15, o dia estava bom até começar a subir o Andes, começou a chover e a nevar bastante. Almoço foi servido ainda em terras argentinas, paramos duas vezes, uma na Aduanda da Argentina para carimbar a saída do país e mais tarde na do Chile, que foi um caso a parte...
Na aduanda do Chile, precisamos descer TUDO, não podia deixar nem o casaco no ônibus, após pegar o carimbo de entrada, nossas malas passaram por uma minuciosa revista, com cães passando mais de 10 vezes em nossas bolsas pessoais que era colocada em um lado e as malas lá fora.
Uma senhora esqueceu de pegar a bolsa e foi ao banheiro, perguntaram 3 vezes, como ninguém contestou, arrebentaram o cadeado da mala e revistaram, então ela apareceu e ficou bem chateada.
Apesar disso, eles eram bem tranquilos, aproveitei para trocar $50 pesos Argentinos por pesos chilenos, só para garantir mais alguns trocados.
A viagem seguiu tranquilamente e chegamos no horário a Osorno, onde tive que trocar de ônibus. Na precária rodoviária da cidade, percebi o quanto eu teria dificuldade para me comunicar com os chilenos, eles não me entendiam e nem eu a ele. O ônibus para Valdívia custou $3.500 pesos chilenos, quase R$20 reais. Qualidade do ônibus deixou a desejar, foram 2 horas desconfortáveis de viagem até finalmente chegar em Valdívia às 19h30, hora local, eles tem 1 hora a menos.
Tentei usar o telefone público com algumas moedas que eu tinha, mas o telefone comeu todas as elas, desisti e sem saber como fazer sozinha, com o endereço do meu amigo Tobi, pedi um Táxi. Tive sorte e peguei um bom Taxista que foi conversando comigo (ou tentando).
Ele dizia o quanto queria vir ao Brasil para a Copa, ele o condomínio  queria até pular o muro, disse que não ia me deixar sozinha, perguntou se eu tinha o telefone do meu amigo para ligar, até então vimos que tinha errado o número. Entregue, o táxi saiu por $1200 pesos chilenos, mas paguei $1500 pela ajuda.

Finalmente na casa do Tobi após mais um dia longo de viagem, pude tomar um bom banho, matar saudade do meu amigo, comer e dormir.

Nos primeiros dias não consegui sair de casa devido ao tempo muito frio e chuvoso de Valdívia. Caia algumas tempestades inesperadas.
Mas quando o tempo melhorou consegui sair para fotografar um pouco. A cidade em si, não tem muitos atrativos turísticos, mas sua estrutura é bem bonita, uma mistura de clássico com moderno, seus leões marinhos, seus amantes, pequenos ônibus soltando fumaça, povo fechado, jovens por todos os lados.

O cartão postal é o Rio Calle Calle com seu mercado de peixe, que infelizmente não tive a chance de vê-lo a todo vapor, no final do dia ele é todo lavado e se não fosse por alguns gaviões procurando algum resto e um cheiro de peixe, não pensaria que ali funciona uma feira. Claro que não é parâmetro com as feiras do Brasil, mas a limpeza daria inveja a qualquer morador do Rio de Janeiro.



Me disseram que Valdívia é uma cidade bem segura, que uma mulher pode andar sozinha nas ruas às 3:00 da manhã que nada aconteceria, porém seus jovens estão tão perdidos como em qualquer lugar da América do Sul, altos índices de gravidez na adolescência, abuso de drogas e sim, o crack chegou lá também. Disseram que na parte Norte é bem perigoso, há roubos e é preciso saber andar nas ruas.


Em um sábado fomos a Niebla, uma praia bem perto de Valdívia, apenas 20 minutos de ônibus, estava um dia bem chuvoso, entramos em um lugar onde se encontra algumas barracas que se pode comprar empanadas de mariscos e os espetos de churrasco.

Mesmo com o dia cinzento e chuvoso, a praia tinha um ar único, uma beleza gótica com suas areias negras, sua neblina e seus avisos de tsunami.
Algumas pessoas se aventuravam por lá, acostumados com o seu tempo inconstante e o frio.

O tempo ao menos foi favorável para tirar fotos em Preto e Branco. Seu tempo cinzento e com luz, ao mesmo tempo que dava um ar romântico aqueles que estavam "enamorados", dava um toque a solidão dos corações confusos e partidos que por suas negras areias deixavam pegadas, um olhar distante, ao alcance de onde a forte neblina deixava ir.



Por entre suas ruas e vielas, o clima continuava, acompanhando pelo silêncio quebrado pelos pássaros que parecem ser os únicos que se divertem em baixo de chuva e vento frio.

Os cães que para mim não são invisíveis, me deram mais um ânimo e completou o conjunto de ideias.
Eles são chamados assim por alguns fotógrafos por serem ignorados pela sociedade, mas parece que todos querem ser meus amigos e aproveito suas companhias.

O ônibus para Niebla funciona com uma rotatividade boa, porém aos finais de semana o tempo de espera pode ser um pouco maior. $500 pesos chilenos até o centro de Valdívia. Com o tempo bom, se tem uma boa vista dos Lagos.

Fomos ao Mall para comer alguma coisa, Tobi, Cris e eu. Provei um doce tradicional alemão que por sinal é ótimo, no final de semana é bem cheio, mas o serviço não chega ser tão ruim.
O preço nos supermercados achei bem mais alto que no Brasil, o preço da carne é muito alto, mas os vinhos de fato seriam mais baratos com uma longa sessão para sua escolha.
Provamos alguns, nosso favorito foi o Ovelha Negra, produção do chilena.

Como uma boa cervejeira, não podia deixar de conhecer o Kurtsmann, uma cervejaria que é alemã, mas a produção é feita no chile. Pedindo o menu degustação, vem todos os tipos de cerveja da casa.

Eu prefiro sempre as artesanais escuras e não sou muito fã das que levam um toque de sabor doce, mas a cerveja de amora foi boa para finalizar.
A casa serve pratos tradicionais chilenos e alemães, como meu amigo Tobi é alemão, pedi a ele que me ajudasse, provei uma carne de porco, com batata BEM apimentada e chucrute. Delicioso, mas um prato pode servir bem duas pessoas.
O local é bem aconchegante, tem um museu, qual não visitei, mas os preços não fogem muito da realidade, porém é um pouco caro pra quem se aventura com um mochilão.

Táxis cobram um valor a parte para esse lado da província. O que eu nunca vou entender,  são só 10 minutos.


No último dia da minha viagem, voltei em Niebla e o tempo estava lindo, com um sol que fazia o mar brilhar. Sentei e fiquei lá ouvindo o barulho das ondas, consegui ficar sem casaco enquanto o vento permitiu.

Não tinha mais aquele clima gótico da última vez, parecia um outro lugar.
Na volta para Valdívia tomei um café na parte baixa do Museu e estava tocando Gilberto Gil, uma boa seleção de músicas.
Consegui ver os leões marinhos do outro lado do Rio, tinham vários, uma cena apreciada em um lindo pôr do sol que foi acompanhado de um frio incrível. A noite fomos encontrar Denis e Vanessa para experimentar as coisas tipicas do Chile. A bebida se chama TERREMOTO, uma mistura que leva vinho branco, uma bebida tradicional da Argentina (?) e sorvete de abacaxi. Bom, pra mim no inicio parecia com uma cerveja que perdeu o gás e esquentou, o sorvete deixa um sabor ainda mais difícil de dizer se é muito ruim ou você não sabe o que dizer.  
Pedi depois uma cerveja da casa para fechar a noite, chopp 1960, maravilhoso o sabor forte no final lembrava um pouco café.








Detalhes a parte:

Em Valdívia tem o que eles chamam de coletivo, um táxi que leva outras pessoas com você, usando um preço fixo.
A cidade tem uma cultura de grafite de rua incrível, não vi nenhum que não tivesse um bom gosto.
Existem vários passeios pelo Rio Calle Calle, porém achei caro. $10.000 pesos chilenos com almoço em uma das ilhas. Mas os atrativos em si não são tão atraentes assim.
O ônibus custam $ 400 pesos chilenos, algo em torno de R$ 1,80. Você paga diretamente ao motorista ou a um trocador que vem depois pegar o dinheiro e tem até música dentro do ônibus, mas estão em situação precária os microbus.
A rodoviária não tem sistema de aquecimento. No dia em que peguei o ônibus para Bariloche a temperatura estava em todo de 1 grau dentro do precário porém jeitosinho Terminal.
Os ônibus chilenos não são tão bons como os da Argentina.
O "espanhol" deles é praticamente um dialeto próprio, muito difícil de entender e alguns falam alemão antigo.
Os bancos fecham antes das 16h.
Você pode atravessar despreocupado na faixa, pedestres tem a absoluta preferência.
Morar em Valdívia pode ser tão caro como barato, depende do seu bolso.
O salário minimo no Chile foi aprovado em $250.000 pesos chilenos e nessa parte do sul parece não ter crise.
Você pode beber água da torneira sem problemas, eu provei !
Me disseram que o Jardim Botânico que fica na universidade é bem bonito.
O tal do Reggaeton é a sensação do momento nos clubs (por favor, não me chamem pra isso).
Há um club (que toca todos os ritmos incluindo o tal reggaeton) e um cassino no Hotel principal da cidade, que por sinal é bem estiloso, é praticamente um dos pontos turísticos da cidade.

Bom, no fim, Valdívia não é a cidade que eu escolheria para viver uma vida inteira, talvez para se aposentar, mas me deixara saudosa por sua tranquilidade.


Muito obrigada ao meu grande amigo Tobi por ter feito essa viagem acontecer, me receber em seu lindo apartamento e por todas as conversas que tivemos. Espero que daqui pra frente depois de tudo que foi conversado, sua vida seja de paz.



Mais fotos da viagem: https://www.facebook.com/fernandamickyphotography

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Tranceland Festival - Argentina

O mini festival mais esperado da viagem:




Com barraca, comidinhas e bebidas prontas, fomos encontrar os amigos brasileiros da Nanda para pegar o transfer para o mini festival.
Chegamos na praça onde marcaram o encontro e tinham poucas pessoas esperando, sentamos na grama e ficamos esperando alguma movimentação de alguém responsável chegar...mas não chegou.
Do outro lado da rua, um ônibus laranja, bem antigo, cheguei a brincar que aquele devia ser o transfer, não deu outra.
Um argentino se movimentou para que pudessemos ir embora para festa, ele ligou para a produção e descobrimos que ninguém viria nos buscar. Então ele convenceu ao motorista nos levar, mesmo sem saber o caminho. Paramos em uma locutório para ele imprimir o mapa.
Eramos poucos na nave espacial, umas 15 pessoas no máximo, a maioria casais. Pegamos um pouco de trânsito na estrada, não iria ser longe, no máximo 60 km da cidade. O mesmo rapaz que antes agilizou tudo, também nos ofereceu algumas balas mágicas e parecia entender bem do assunto.


Eu fui apenas apreciando a noite caindo em Buenos Aires, ouvindo New Model Army como sempre, para evitar um ataque de pânico no ônibus tomei logo dois rivotril e fui tranquila.
Nos perdemos somente na entrada para a estrada de terra, mas lá ao fundo era possível ver as luzes da festa.
Chegamos ao nosso destino, todos ansiosos para descer do ônibus e entrar no local, onde na portaria tinham três seguranças que nos fizeram somente a seguinte pergunta: " Trouxeram repelente? Se não, cuidado para não ser carregados pelos mosquitos! ".
E eles estavam certos.
Uma revista rápida em nossas bolsas e entramos, já era noite, usamos nossas lanternas para chegar até um lugar onde dava para montar a barraca, escolhemos uma árvore e a Nanda com a ajuda dos meninos armou rapidamente a barraca, onde colocamos nossas mochilas, eu coloquei meu saco de dormir e meu cadeado com senha.
Antes de ir para a pista que ficava uns 50 metros da barraca, uma passagem no banheiro que era químico e logo pensei: " - Mais tarde esse banheiro vai ta um nojo! ". Fui comprar uma cerveja e para a minha surpresa era necessário comprar o copo de plástico, que custava $ 2 pesos e você era obrigado a sempre traze-lo ou iria ter que comprar outro. A cerveja de 916 ml era colocada inteira nesse copo, custo da cerveja $ 30 pesos a mais barata. Bom, como estava frio, achei válido e na verdade não tinha outro jeito, já que não bebo outra coisa.

Ok, cerveja na mão, hora de ir para pista.
Não estava muito cheio, era tranquilo andar pela pista, o palco e a projeção a noite tinha um ar simples, porém bem psicodélico.
Câmera na mão, hora de tirar fotos, o Ninad do Yagé estava tocando, ele me reconheceu quando me aproximei do palco para fotografa-lo.

Eramos quatros brasileiros, felizes e contentes, pulando e sorrindo: Marcelo, Nanda, eu e mais um menino muito gente boa o qual não me recordo o nome agora.
Logo eramos um grupo misturado de argentinos, chilenos e brasileiros.
A energia era mágica, todos conectados, apenas sorrisos e abraços. Muita vontade de dançar e aproveitar cada segundo de vida.

Algumas das atrações eram DJs brasileiros, ficamos felizes por ver eles tocando.
Encontrei o Gustavo, o qual tive alguns papos via facebook para acompanhar a ideia do Festival, sem querer ele estava do meu lado na pista e foi engraçado, gente boa, tivemos ótimos papos até a hora de eu ir embora.

Só teve um momento que me recolhi na barraca para descansar e sai para ver o amanhecer, que foi espetacular, deu para ter uma noção do local. Era um haras, todo verde e  aberto, ficou bem frio de manhã.
Algumas empanadas geladas e uma coca-cola para começar o dia, papos na porta da barraca, deixamos tudo pronto para aproveitar até o ônibus sair a caminho de Buenos Aires novamente.

A alegria e energia dos jovens argentinos, que estavam ali com tanto amor ao seus amigos, sendo simpáticos e hospitaleiros conosco, foi gratificante. E o fato de ter poucas pessoas ajudou a absorver melhor essa energia. Eles se preocuparam com o coletivo, mesmo com o seu jeito egoísta. Os que ficaram com a gente, sempre curiosos querendo saber sobre o Brasil, ajudando a cuidar das nossas coisas, da nossa segurança, para que ninguém fosse ferido recolhiam o lixo e avisavam sobre alguma pedra no caminho. Ofereciam água e diziam que mesmo com frio era preciso se hidratar. Os abraços coletivos, as danças conjuntas, tudo muito leve e bonito.
Voltei com aquela sensação de querer mais, o evento continuou até a noite, mas eu tinha voo no dia seguinte. E foi uma pena que não fui para todos os dias. Mas o que vivi lá, valeu apena...








De volta a cidade de pedra, cheguei em Buenos Aires.


A última conexão na cidade portenha:



O Aeroparque pra variar sempre lotado e ainda em obras, com seus mal humorados trabalhadores portenhos.
Fui primeiro em uma " Lan house" para pegar o endereço da Fernanda Nunes no Facebook, $15 pesos.
Tive que fazer mais um câmbio para pegar o táxi e estava bem ruim, troquei 100 reais: $ 220 pesos.
Fiquei na dúvida em ir de ônibus, então passei no ponto de informações turísticas e acabei descobrindo que seria difícil chegar lá de ônibus, optei em pegar um remi em uma operadora.
Fui muito bem atendida até, e o carro era novo e não velho como na última vez. O motorista até brincou com o peso da minha mala.
Um pouco de trânsito e quase nenhuma conversa no carro. Aliás o motorista ficou bem chateado quando eu abri o vidro para comprar um buquê de rosas com um homem que vendia enquanto o sinal estava fechado.
Disse que era perigoso e que muitas pessoas são assaltadas assim, mas não vi perigo no momento.
Cheguei na porta do prédio da Nanda, total da viagem: $ 80 pesos.
Ela e eu nunca nos vimos antes, eu estava meio ansiosa, mas ela desceu para me ajudar com a bagagem e eu entreguei a ela o buquê e recebi um bom abraço da minha Xará.
O apartamento dela é dividido com outros brasileiros, sendo mais três mulheres, a arretada Rose, a linda guria Cris e a Baiana Nati, para completar o grupo o impagável baiano Denis. A Nanda também completa o time baiano da casa.
Fui muito bem recebida, a noite eles fizeram uma social com cerveja, um empadão de frango maravilhoso,  muita dança e risadas.




Descobri um esquema ótimo para trocar pesos com outros brasileiros que estudam no país, a cotação foi ótima.
O Bairro que eles moram é um bairro judeu, o tempo todo era possível ver os velhos e novos ortodoxos com a sua prole a tira colo.
Infelizmente não pude tirar muitas fotos, com medo de andar na rua com a câmera. Ultimamente Buenos Aires passa por uma das piores crises do país, a inflação tem criado diversos problemas e um deles é a violência, todos eles tinham uma história chata de assalto, furto, roubo, para contar.
Como era a minha terceira vez em Buenos Aires, já não tinha muita coisa pra ver de novo, mas fui novamente a feira da Recoleta para fazer umas comprinhas. Fico louca com a quantidade de coisa linda, principalmente as jóias de prata e todos os tipos de artesanato que é vendido, mas os preços não estavam muito atraentes.
Comprei perfumes e cordões de prata com a pedra rosada que só existe na Argentina para as minhas irmãs e minha mãe.
Fui a um Pub com eles onde comemoramos o aniversário da Cris, se eu não me engano se chamava Alamo.
O local tem três andares e fica cheio em todos ambientes, com um happy hours onde a cerveja só é de graça até as 20h para a mulherada.
A entrada é paga, acho que foi $20 pesos.
Cada vez que eu ia ao banheiro era uma festa e finalmente eu me senti bem recebida em Buenos Aires. Conheci alguns meninos bem simpáticos e a música era boa.

Mas eu não estava em Buenos Aires para beber ou fazer compras, o objetivo era ir para o Festival Tranceland, estava ansiosa por isso...















quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Aventuras Patagônicas parte II

Voo de Ushuaia pra El Calafate:
Assim que o  voo ganhou altitude, da janela naquela linda manhã de segunda, podia ver a pequena Ushuaia ficando pra trás. E podia ver onde começava o Glaciar Martial, uma bela visão.
Ouvindo New Model Army, me inspirava nas músicas e letras, estava um pouco ansiosa para chegar em El Calafate. Era uma viagem rápida e eu simplesmente não conseguia tirar os olhos daquelas vistas extraordinárias. Lanche servido, bolsinha da cia área indicava mais uma vez que a Patagônia quer proteger sua natureza tão frágil e fazem da reciclagem e redução de danos uma coisa bem séria.




Chegada em El Calafate:
O avião começou a descer lentamente e eu já enxergava aquele ar desértico da terra de Santa Cruz, vi pela janela a estrada na qual eu peguei uma tempestade de neve na primeira vez que fui a El Calafate. Naquele dia estava iluminada pelo sol e tão dourada como ouro.
Pouso perfeito, estamos em terra, pego minha mala que parece cada vez mais pesada, apesar de eu não comprar nada durante a minha estadia em Ushuaia, talvez eu só esteja cansada.
Controle de alimentos bem na saída, sou a última a passar. Procuro a agência de transporte que me levaria ao Hostel. Meu nome sobrenome estava escrito em uma placa na porta, confirmo que sou eu, pego o voucher e vou para fora do aeroporto onde uma van com um colorido carrinho preso atrás leva as malas dos passageiros. 
Percebo um casal falando em português, não é tão difícil encontrar brasileiros pela Patagônia, puxo assunto, mas eles não parecem muito interessados e só desejo boa estadia. Na van somente eu, mulher, sozinha, entre vários casais e começo a pensar como estou feliz em viajar sozinha.
Sou a primeira se deixada pela van, reconheço já a rua e me preparo para descer. Chego ao Hostel America Del Sur, sou recebida pelo simpático paraguaio Patricio, o qual eu conheci em 2010, mas ele não lembrava de mim. Check in feito, banho tomado, tenho fome e resolvo sair para aproveitar o dia que estava lindo. Converso um bom tempo com o Patricio sobre várias coisas, tenho curiosidade de saber como é viver em uma cidade tão pequena. Ele me conta suas aventuras no Hawaii, planos, visitas ao Brasil. 
Eu adoro El Calafate, me sinto em casa, apesar de seus carros serem os mais poluentes que eu já vi. Pra variar chego na hora da siesta, mas acho que em El Calafate tudo fecha nesse horário, porque todos os turistas estão em seus tours e só retornam no final da tarde. Almoço no mesmo restaurante que fui uma vez, tem brasileiros ouvindo o tal do "Tcherere...", musica dos infernos, mas não posso ir para outro lugar, tudo fechado, resolvo checar as fotos que tirei em Ushuaia, enquanto espero meu bife de chorizo ficar pronto.
Comida na mesa, como o mais rápido possível, pois começo a sentir o cansaço bater e quero logo deitar.
Comida total de $80, muito caro, sim, mas é o preço normal de El Calafate.
Estava tendo uma manifestação cultural na praça da cidade, mas não tenho mais forças para nada, fora que antes eu bati com a minha canela em um compensado e estava doendo horrores, fiquei com o cartão preso dentro da máquina do Banco que já estava fechado, mas consegui recuperar, já tinha tido emoções o suficiente.
Volto para o hostel e resolvo dormir um pouco.
Acordo e dou uma volta pelo hostel, como alguns biscoitos e empanadas que comprei no mercado, mas logo volto a dormir, minha perna dói intensamente e começo a sentir a gripe querendo chegar, amanhã faço alguma coisa.

El Calafate de Bicicleta:
Acordo e vou tomar café, já no final do horário, ainda não sei o que vou fazer, acho que apenas fotografar a cidade. Converso mais um pouco com o Patricio e digo que acho que vou para o centro e alugar uma bicicleta, mas para a minha sorte ele tem uma lá exatamente para alugar. Vou no quarto e preparo a mochila. Quando estou saindo, a minha nova amiga sul coreana que dividia o quarto comigo em Ushuaia chega e nem acredito, ficamos feliz de nos encontrar, ela vai descansar e eu vou pedalar.
A última vez que andei de bicicleta foi em El Calafate, dois anos atrás. Mas como dizem que "é como andar de bicicleta" no inicio me sinto meio insegura com as pedras e rua de terra batida, mas resolvo testar meus limites e descer a rua que é bem ingrime, em cima da bicicleta. Como sempre estrategista, penso logo em uma maneira de sair da bicileta caso fosse necessário por causa dos carros ou como cair se caso eu derrapasse. Checo os freios e vou.
Desligo essa ideia e simplesmente começo descer a toda velocidade, controlando os freios, é bem ingrime mesmo, mas estou indo bem, fico até emocionada e rindo por causa disso. Pego a direita a toda velocidade e vou em direção a Laguna.
Posso em frente ao cemitério, museu dos dinossauros, já estive lá antes, mas cogito a ideia de volta. Continuo como se estivesse voando em direção a Laguna, está tudo diferente, pavimentaram a estrada e agora é necessário pagar $25 para entrar. Me recuso, e vou beirando o lago por fora, até encontrar uma boa vista. Fico por lá, sozinha, com o vento soprando forte e aquela luz dourada me iluminando em meio ao tempo nublado.
Quando um casal começa a se aproximar, eu saio, como um pássaro incomodado.
Vou passeando e começo a sentir fome, lembro de outro restaurante em que eu estive dois anos atrás e resolvo comer lá.
Na televisão mais um jogo de Hubby, e claro, a seleção argentina jogando.
Peço um Bife de cordeiro com batatas doce fritas, vem junto um copo gigante de pepsi, entrada pães e pasta de beringela e no final uma sobremesa divina, panqueca com o dulce de leite, tudo por $80 pesos.
Demorei umas 2 horas pra comer tudo, mas foi excelente, apesar do preço.
Andei mais um pouco pela cidade, queria tomar um sorvete, mas estava cheio o lugar. De volta ao Hostel, fui dormir e acordei antes do sol se pôr. Eu iria sair para fotografar, mas desisti por causa do vento gelado e voltei para o quarto, fiquei conversando com a Soyoung. Lembro que preciso ir ao mercado comprar mais coisas e vamos juntas. Na volta eu tomo um sorvete de Calafate, que delicia, talvez o melhor sorvete que experimentei em toda a minha vida. A menina que me atende fica muito feliz quando digo que sou brasileira e me faz inúmeras perguntas. Muito curiosa sobre como é a vida lá fora. Ela arranha um pouco de português e fica muito feliz quando eu digo que ela está falando como uma brasileira. Me senti muito feliz vendo os olhos dela brilhando com o meu elogio.
A noite no hostel conheci um menino chamado Alex ele é da Irlanda que trabalha no hostel por um tempo e ficamos conversando sobre bebidas, porque eu queria tomar uma cerveja, mas lá só vendem a garrafa de 1 litro. Ele me indica um restaurante no final da rua onde vendem cerveja artesanal. Apenas alguns passos e estou em um belo restaurantes, porém as moscas. Sento no balcão e a dona do restaurante me dá várias provas de cervejas artesanais e escolho a minha. Preços variando de $26 a $36 dependendo se é estilo chopp ou long neck.
De volta para o hostel e um pouco alta, hora de dormir, amanhã tem Glaciar.

Glaciar Perito Moreno:

Como não fiz a reserva no hostel, acordo bem cedo para tomar café e correr para a rodoviária. Mochila abastecida faço minha caminhada na manhã gelada de El Calafate às 7h30 da manhã.
Compro a minha passagem na rodoviária $100 e aguardo até a hora do ônibus sair, pontualmente às 9h da manhã. Não saiu cheio, afinal é baixa temporada.
O caminho é simplesmente espetacular, acho que todos no ônibus estão de boca aberta como eu, que por um momento paro de fotografar e relaxar apreciando aquelas paisagens fora do real.
O ônibus faz uma parada na entrada do parque e um rapaz sobe para cobrar a entrada, turistas do Mercosul pagam $70 pesos, ele pergunta de onde você é primeiro.
A entrada do parque é bem longe do Glaciar e todos são obrigados a parar lá antes de continuar. Esse ingresso não será cobrado na entrada das passarelas.
O ônibus faz a parada  no porto de onde sai os passeios de barco para ver o glaciar de perto, é opcional. Dura 1 hora e se não quiser ir, pode ficar esperando no ônibus. Mas normalmente todos vão.
O passeio custa $100 e normalmente sai lotado dependendo do barco.
Na outra vez saiu vazio, dessa vez mesmo na baixa temporada estava abarrotado.
O tempo não estava muito bonito, mas deu pra apreciar a vista apesar de muito cheio e turistas afobados por uma boa foto e um bom ângulo.
De volta ao ônibus que já havia passado pelas passarelas antes pra fazer hora, voltamos e é onde ficaremos até às 16h, hora que ele virá nos buscar.
Tem um restaurante e banheiros, mas cuidado com o seu lixo, lá não há lixeiras nas passarelas ou fora do restaurante, você precisa voltar com seu lixo para El Calafate.

Passarelas:
As passarelas para apreciar o Glaciar tem vários níveis e extensões, é preciso ficar atento ao mapa pra saber se você terá folego e tempo para ir e voltar.
Algumas levam 1 hora e meia só pra ir, são bem compridas e cansativas, lembre-se que você vai descer e subir vários degraus.
As que tem a vista de frente sem dúvida são as melhores, mas vá para todos os lados que puder.
Se tiver sorte verá o gelo se desprendendo e caindo na água, o som é emocionante, desde a rachadura, queda e o balanço da água.
Esteja atento a hora para não perder o ônibus.

Voltamos no horário combinados e acho que todos assim como eu, dormiram na volta para El Calafate.
Leva mais ou menos 1h até a cidade.
Chegamos por volta das 17h e o ônibus nos deixa na rodoviária. Descemos pela escadaria que da na feira de artesanato, vale apena dar uma olhada e se tiver dinheiro sobrando comprar alguma lembrança.
Estava tudo muito caro, uma pena essa inflação.
De volta ao Hostel, banho tomado, vou pagar logo a minha estadia no hostel, mas para a minha surpresa o meu cartão não passa, por um pequeno detalhe, ele é VTM e eles efetuam o pagamento online e não com aquelas maquinas de cartão de crédito. O que me obriga a voltar ao quarto, colocar muitas roupas e ir até o centro tentar sacar dinheiro, já que eles não aceitam reais e não tenho dinheiro suficiente para pagar.
Corro até ao banco, eram 21h00 sem saber se estaria aberto, mas pra minha sorte estava e consigo sacar o dinheiro.
Fiquei muito chateada com o fato que tive que ir até ao centro quando já estava pronta para dormir e a menina da recepção achou que eu daria um calote nela quando ela disse que meu cartão não passava, mas de outros sim. E ela ainda fica chateada por eu não dar a gorjeta depois do comentário sarcástico infeliz dela, ah vá!
Os meninos que trabalham no hostel são excelentes, mas as meninas deixam a desejar...talvez seja ciume das brasileiras, pode ser...e devem ter.


Hora de dizer tchau:
Acordo bem cedo e como já tinha deixado tudo pronto na noite anterior, só checo se não esqueci nada.
Vou para a recepção e encontro o paulista Leandro que conheci em Ushuaia.
Ficamos conversando sobre o que eu fiz, o que ele iria fazer, onde fomos, e um casal brasileiro entra na conversa. Falamos sobre os pontos positivos e negativos dos lugares.
Hora de dizer tchau, a minha nova amiga soyoung foi para El Chaltén mais cedo e acho que essa será minha última vez em El Calafate. Mesmo adorando nem sei porque essa pequena cidade, fico feliz por ir embora e ter outras experiências, sair do frio e falar português novamente. O Transfer passa meia hora atrasado.
Voos tranquilos, lembrando que em El Calafate você também paga a taxa de $38 no aeroporto. O transfer foi o mesmo da ida, tudo pago no hostel.
A vista dos icebergs passando pelo Lago argentino enquanto espero o voo é uma coisa que não tem como explicar. E foi uma sorte pegar esses voos pela manhã e com sol. Lindas vistas, uma linda despedida.
Buenos Aires me espera....